Autoestima e amor próprio: como aprender a gostar de si mesma
Autoestima é a forma como você se enxerga e se trata por dentro, o valor que você sente ter, mesmo quando ninguém está olhando. Aprender a gostar de si mesma não é virar outra pessoa, é parar de se abandonar justamente quando você mais precisa de você.

Há quem chegue ao consultório dizendo, quase pedindo desculpa: “eu sei que deveria me amar mais, mas não consigo”. E há quem nem use essas palavras, apenas sente um cansaço de sempre se cobrar, de se achar demais e de menos ao mesmo tempo, de se tratar com uma dureza que jamais usaria com uma amiga.
Se você se reconheceu em alguma dessas frases, respira. Não há nada de errado com você. E talvez esse incômodo seja, no fundo, um convite.
O que é autoestima, de verdade?
A gente aprendeu a pensar em autoestima como “se gostar”, como se fosse um interruptor que a pessoa liga quando decide. Mas autoestima não é um elogio que você repete na frente do espelho. É algo mais silencioso: é como você se trata quando erra, como você se escuta quando está cansada, se você se permite ter necessidades sem sentir que está incomodando.
Uma mulher com a autoestima fragilizada não é uma mulher “fraca”. Muitas vezes é exatamente o contrário: é a que dá conta de tudo, a que sustenta todo mundo, a que raramente se coloca em primeiro lugar. Por fora, firmeza. Por dentro, uma voz que nunca a acha suficiente.
Por que é tão difícil gostar de si mesma?
Porque isso raramente é uma escolha racional. A forma como você se trata hoje foi aprendida muito antes de você poder escolher.
A psicodramatista Rosa Cukier trabalha uma ideia que vejo se repetir no consultório todos os dias: as feridas da infância não desaparecem, elas são revividas no drama adulto. Existe, dentro de muitas mulheres adultas e competentes, uma criança que um dia aprendeu que precisava merecer o amor, que ele vinha condicionado ao bom comportamento, às notas boas, a não dar trabalho. Essa criança cresceu. Mas a lógica dela, não.
É por isso que você pode ter uma carreira sólida, pessoas que te amam, uma vida que de fora parece inteira, e ainda assim sentir que precisa provar o tempo todo que merece estar aqui. Não é falta de gratidão. É uma ferida antiga reagindo a situações novas.
E se você aprendeu que só era amada sendo útil?
Deixa eu te contar uma história que talvez você conheça por dentro.
Imagina uma menina que cresceu entendendo, sem que ninguém precisasse dizer com todas as letras, que o amor ali tinha uma condição: ser útil. Ajudar, servir, facilitar a vida dos outros. Quando ela ajudava, vinha o afeto, o pertencimento, a sensação de ter valor. Mas quando ela não dava conta, ou simplesmente não queria, a conta chegava: era chamada de egoísta, era julgada, e às vezes acontecia o pior de tudo, o afeto era retirado, como um castigo silencioso.
Uma criança não tem como saber que isso é injusto. Ela só aprende a regra: se eu ajudo, eu sou amada; se eu sou útil, eu tenho valor. E faz o que qualquer criança faria para sobreviver emocionalmente: se torna a mais prestativa, a mais responsável, a que nunca dá trabalho.
Essa menina cresceu. Hoje ela talvez seja a mulher que você vê no espelho. Por fora, a pessoa em quem todo mundo confia, a que se antecipa, a que resolve antes mesmo de pedirem. Por dentro, uma menina com um medo antigo: o de não ser útil, de não ser legal o bastante, de decepcionar. Ela se sente responsável pelo mundo, vive na pró-atividade, e, mesmo fazendo tanto, carrega a sensação constante de que ainda não é suficiente. Quando uma crítica chega, às vezes uma só, abre-se um vazio enorme. Porque o sacrifício foi grande, e a recompensa quase nunca é do tamanho dele.
Por que dizer “não” dói tanto?
Para quem cresceu assim, dizer não dá um frio na barriga. O “não” vem grudado numa culpa pesada, no medo surdo de voltar a ser aquela criança vista como egoísta e ruim. Então é mais fácil dizer sim, se sobrecarregar, e cobrar de si uma perfeição que sirva de proteção.
É aqui que a autoestima se enrosca em duas coisas. A primeira é uma autoexigência que não dá trégua. A segunda é uma percepção de si quase inteiramente dependente do olhar do outro: você se sente valiosa quando é aprovada, e despenca quando não é. O perfeccionismo e o controle entram como armadura: fazer tudo com riqueza de detalhes, não deixar nenhuma brecha, para que ninguém veja a insegurança que mora por baixo, e para não correr o risco de ser rejeitada.
Se você leu até aqui e algo apertou no peito, eu quero te dizer, com todo o cuidado: não há nada de errado com você. Houve, um dia, um contexto que te ensinou que o amor se merece. E o que foi aprendido também pode, com tempo e acolhimento, ser revisitado.
Amor próprio não é se bastar sozinha
Virou moda dizer que amor próprio é “aprender a ficar bem sozinha”, “não depender de ninguém”. Eu discordo, com carinho.
Acredito, do fundo da minha alma, que a gente adoece pelo vínculo e se cura pelo vínculo. Amor próprio, pra mim, é parar de se trair dentro das relações. É conseguir dizer o que sente sem o medo de ser demais. É reconhecer, mais cedo, quando um vínculo te diminui em vez de te acolher. A mulher que se gosta não é a que não precisa de ninguém; é a que não se abandona pra ser aceita.
Como começar a gostar mais de você
Não existe fórmula, e desconfio de quem promete uma. Mas existe um caminho, e ele começa com perguntas honestas:
Como você fala consigo mesma quando erra? Você se permite descansar sem culpa? Quando foi a última vez que você colocou uma necessidade sua antes da de outra pessoa? O que aquela criança que você foi precisava ouvir, e nunca ouviu?
Essas perguntas não têm resposta rápida. Elas abrem portas. E é desse lugar, o de se olhar com mais verdade e menos julgamento, que a autoestima começa, de fato, a se reconstruir.
Onde o psicodrama entra nisso
A minha forma de trabalhar é vivencial. No psicodrama, a gente não só conversa sobre o que você sente, a gente dá lugar pra isso acontecer, de um jeito seguro. É possível, aos poucos, reencontrar aquela criança ferida de que Cukier fala, oferecer a ela o que faltou, e devolver à mulher adulta a liberdade de se relacionar consigo mesma de uma forma mais inteira.
Não é sobre virar outra pessoa. É sobre voltar a caber em você.
Perguntas frequentes
O que é baixa autoestima?
É quando a forma como você se enxerga fica marcada por autocrítica constante, pela sensação de não ser suficiente e pela dificuldade de reconhecer o próprio valor. Costuma aparecer junto com autocobrança, medo de rejeição e dificuldade de dizer não.
Dá para melhorar a autoestima na terapia?
A terapia é um dos espaços mais férteis para isso, porque permite compreender a origem dessas feridas e construir, aos poucos, uma relação mais gentil consigo mesma. Cada processo é único e acontece no seu tempo.
Amor próprio é a mesma coisa que autoestima?
São próximos, mas não idênticos. Autoestima é o valor que você sente ter; amor próprio é como você age a partir disso: o modo como você se cuida, se respeita e se posiciona nas relações.
Por que me sinto culpada quando digo “não”?
Quando a gente aprende, ainda criança, que o afeto dependia de ser útil e agradar, dizer não passa a soar como ameaça de perder o amor. A culpa que aparece não é um defeito de caráter, é uma marca antiga, que pode ser compreendida e, aos poucos, aliviada na terapia.
Preciso ter um problema “grave” para buscar terapia?
Não. Buscar ajuda não exige um motivo dramático. Sentir que algo não está fluindo como deveria já é razão suficiente para se dar esse cuidado.
Se você se reconheceu em algo aqui, talvez valha a pena a gente conversar. No meu trabalho com vínculos afetivos, acompanho mulheres que estão reaprendendo a se tratar com mais verdade e menos dureza. Vamos conversar?
Prazer, eu sou a Ana
Eu soube cedo quem eu queria ser. Foi aos dezesseis anos, sentada na poltrona de paciente, que descobri o que faria da minha vida. A terapia me salvou de muitas maneiras naquela época, ali aprendi lições duras sobre o amor, e ali também me senti profundamente acolhida. Eu quis, desde então, ser esse lugar de escuta para outra pessoa.
Me formei psicóloga em 2017 e comecei a clínica pelo olhar da terapia cognitivo-comportamental. Com o tempo, percebi que uma abordagem só não dava conta das inquietações que chegavam ao meu consultório. Foi no auge da pandemia, num mundo tão caótico, que essa busca se intensificou, e foi aí que encontrei o psicodrama. Me impactou fundo, do jeito que eu queria. Hoje é a partir dele que construo o meu trabalho.
Atendo mulheres adultas, exclusivamente online. Me encanta trabalhar os vínculos afetivos e as dinâmicas das relações femininas, porque acredito, do fundo da minha alma, que é no vínculo que a gente se cura, ou adoece. E, com tantas pacientes empresárias e dedicadas às suas carreiras, tenho caminhado junto também no fortalecimento do papel profissional delas.
Meu trabalho é ajudar mulheres a compreenderem o que se repete em suas emoções, fortalecerem sua identidade e construírem relações mais saudáveis, consigo mesmas e com quem se relacionam. Cada mulher tem uma história única, e é por isso que ofereço um espaço seguro, acolhedor e sem julgamentos, para que ela possa se olhar com mais profundidade e caminhar no seu tempo.
No Instagram eu divido o que penso e sinto
É lá que eu compartilho reflexões sobre vínculos, relações e autoconhecimento, no mesmo tom de quem senta ao seu lado. Se quiser me conhecer um pouco mais antes de dar o primeiro passo, vem comigo por lá.
Dúvidas que costumam surgir
Se você está pensando em começar, é natural ter perguntas. Deixo aqui as que mais me chegam, com todo o carinho.
Nunca fiz terapia. Como é a primeira conversa?
É um tanto assustador estar diante de uma psicóloga pela primeira vez, eu sei bem como é essa sensação. Por isso escolho deixar esse primeiro encontro o mais leve possível. A gente conversa no seu ritmo, você me conta o que te trouxe até aqui, e não precisa chegar com nada organizado. Só vir.
O atendimento online funciona mesmo?
Funciona, e muito. O que sustenta a terapia é o vínculo entre nós duas, e esse encontro acontece com a mesma profundidade pela tela. A vantagem é que você pode se cuidar de onde estiver, de um lugar onde se sinta segura, sem deslocamento.
Com que frequência e por quanto tempo?
Em geral, os encontros são semanais, porque a constância ajuda o processo a ganhar corpo. Mas isso a gente combina juntas, olhando para o seu momento e para o que faz sentido pra você. Não existe tempo certo, existe o seu tempo.
E se eu não souber o que falar?
Não tem problema nenhum. Muita gente chega sem saber por onde começar, e tudo bem. Faz parte do meu trabalho te ajudar a desobstruir isso, com perguntas e com presença. O silêncio também cabe aqui.
O que eu contar fica em sigilo?
Sim. O sigilo é um compromisso ético e um dos alicerces da terapia. O que acontece entre nós duas fica entre nós duas. É justamente essa segurança que permite que você se abra com verdade.
Preciso estar muito mal para começar?
Não. Você não precisa de um motivo dramático para se dar esse cuidado. Sentir que algo não está fluindo como gostaria já é razão suficiente. Se permita ter esse encontro, com a minha pessoa e, principalmente, com você mesma.


